Aos olhos do mundo, o arquipélago de Cabo Verde é um paraíso. Imaculadas águas, exuberante vegetação nas ilhas montanhosas, milhas de praias de areias brancas, águas azuis e cristalinas, picos vulcânicos e rochas de lavas com brisas nocturnas num autêntico ar condicionado natural e confortáveis noites de sono.
E então, tem o DJEU, um grupo de ilhéus desertos, um pequeno paraíso escondido, paragem obrigatória a igual distância de apenas 4 milhas a norte da Brava e nordeste do Fogo. DJEU é a jóia da coroa de Cabo Verde.
DJEU é, em todos os aspectos, um perfeito refúgio; um lugar para explorar o mundo selvagem das ilhas do sul onde aves raras encontram a tranquilidade para se nidificar, peixes mergulham na imensidão rica e límpida das profundezas do Oceano Atlântico, e tartarugas procuram o lugar para a desova após muitas milhas de viagem.
Durante uma recente viagem à Brava, sugeriu-se uma visita de exploração eco-turística ao Djeu. Como ja lá vão uns anos desde que visitei o local, isso aqueceu-me o ânimo. Eram 5 horas da manhã e o mini-autocarro lá estava à nossa espera no hotel, pronto para partir. Começamos a descer as 99 curvas que separam a Vila da Furna sob um radiante sol nascente atrás do sul da vizinha ilha do Fogo. O céu era tipicamente espectacular, a forma como Cabo Verde saudava com um bom dia às suas crianças.
Na piscatória vila da Furna, embarcamos a bordo de um pequeno barco a motor, rumo ao Djeu. O mar estava um pouco excitado mas não mais do que a excitação dos exploradores que enchiam a pequena embarcação, àvidos de passar um dia livre depois de algumas sessões de reuniões e de apresentações.
Assim que chegamos, fomos recebidos por uma forte briza do nordeste que assolava a ilha, de maneira alguma agradável. Mas não levou muito tempo para que se acalmasse para nos dar as boas vindas e nos abrisse a sua gloriosa beleza natural que mais parecia um sonho.
Depois de um rápido lanche, algumas pessoas começaram a pescar, outras, inludindo eu, optaram por explorar o lado selvagem. Apreciando ninhos de aves por todos os lados, exclamamos em uníssono-Wow!
A parte norte do ilhéu menor, conhecido como “djeu di riba”, é dominada por potentes vagas que com o passar dos anos, transformaram as mais fortes rochas em bem esculpidas praias de areias brancas. Que panorama mais espectacular e relaxante! Depois de algumas horas de descobertas, fotos, pesca, mergulhos, natação e cuidadosas marchas nas peugadas de tartarugas regressamos ao lado sul para o almoço.
Em contraste, o lado sul proporcionava uma atmosfera restauradora, calma, amável, uma praia de areia vulcânica negra, um lugar para descansar o corpo, a mente e a alma ou simplesmente deixando-se embalar pelo prazer da natureza.
Todos se sentam à volta e cada um tem uma estória interessante para contar acerca da sua descoberta pela parte norte do ilhéu. Enquanto aguardávamos pela comida, alguns jogavam às cartas, outros preparavam o fresco pescado e alguns não resistiam à tentação de tirar uma soneca na fresca brisa de um dia quente.
A parte sul de Djéu é um lugar misterioso concebido para enamorados, com suas inúmeras mas pequenas, quietas e naturais piscinas circundadas por suaves quedas de ondas. Independentemente do pano de fundo: Fogo ou Brava, são panoramas memoráveis que levam o visitante a uma nova aventura romântica ou revitalizar uma jornada amorosa que fica para a posteridade.
Depois de um dia em pleno no Djeu é tempo de regressar à Brava. Um a um, fomos entrando no pequeno barco de volta à ilha. O mar estava mais calmo, o sol ardente deu lugar ao crepúsculo à medida que se escondia atrás de Fajã d’ Água e a exuberante vegetação da Brava acompanhava o nosso regresso.
Foi rápido, mas a digressão continua viva no nosso pensamento. É a marca indelével de que quando enterrares os pés na polvorosa areia negra ou branca das praias de Djeu, e passear no azul-turquês das suas águas, jamais visitará Cabo Verde sem deixar de passar por Djeu. Minha esperança é que esta beleza natural seja preservada às gerações futuras.