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Barack Obama: Nôs Presidenti!
November 06, 2008 01:42PM By CVOL Staff

 “Nunca pensei poder ver isso”, revelou-nos com os olhos a brilhar, Ana Moniz, cabo-verdiana-americana que trabalhou muitos anos na Câmara de Pawtucket, dias antes do veredicto final, emocionada para já, só pelo facto de poder votar num candidato afro-americano para Presidente.

Alias esta é a frase que mais se ouve, também, junto da comunidade cabo-verdiana que expressa assim, a vitória do candidato que apoiou, desde o início da campanha, nestas eleições presidenciais nos EUA.

Como quem desperta de um sonho, -simplismente uma utopia há bem pouco tempo-em casa, em ambientes privados, nos bares e restaurantes, os crioulos deram largas à sua alegria, brindando o histórico feito.
Nunca os cabo-verdianos contribuíram tanto para a eleição de um candidato político na América. A verdade é que foi notória a presença, em massa, dos eleitores cabo-verdianos, nas mesas de votos.

A aposta era só uma: BARAK OBAMA, NÔS PRESIDENTI!!!

Embora Barak Obama sempre se tenha demarcado da questão racial na sua corrida presidencial, a verdade é que esse factor esteve sempre presente, durante e após as eleições.

Mas Obama, soube ultrapassar essa já tradicional barreira milenar da questão racial e conseguiu driblar todas as tentações nesse sentido, podendo assim com essa postura, abarcar todos os eleitores independentemente da sua cor, raça ou opção político-partidária. Afinal, um presidente não é só de uma facção.

Este é, de resto, o grande trunfo de Barack Obama, cuja mensagem de mudança ultrapassou todas as fronteiras que delimitam quaisquer eleições. Fugiu sempre a essa armadilha da questão racial, um “isco” que nunca chegou a morder. Obama concentrou-se na ideia de uma América Unida.

 Cabo-verdianos, latinos, brancos e negros, democratas e repúblicanos revelaram-nos, ainda junto das mesas de votos, terem votado em Obama.
Houve eleitores republicanos que confessaram, abertamente, terem votado pela primeira vez num candidato democrata, tendo apostado no slogan “Yes We Can”.

Alguns restaurantes aproveitaram o dia, que não era feriado, para preparar um ambiente de festa. Primeiro com os olhos pregados nos televisores, com um outro comentário a favor do seu candidato que não desarmava passo, para depois celebrarem numa noite bem regada e ao som da música cabo-verdiana.

Para Adalberto Teixeira, Director-Adjunto dos Assuntos Sociais do Gabinte do Mayor de Boston, duas das principais razões que estão por detrás da vitória de Obama são a crise económica instalada no país e a guerra que os EUA mantêm em duas frentes, sem uma solução à vista.

Como solução Obama promete regulamentar o sistema de impostos de uma forma proporcional de acordo com o vencimento de cada cidadão. É uma das tábuas de salvação para o equilíbrio do descalabro financeiro ocasionado pelos empréstimos bancários e o sistema hipotecário sem uma regulamentação.

Projecta retirar as tropas do Iraque de uma forma gradual, a curto prazo e injectar a nível interno, uma parte dos mais de 10 biliões de dólares mensais destinados actualmente às duas frentes de guerra.

Quanto à equipa que poderá trabalhar com o novo presidente americano, Adalberto Teixeira disse que Obama está rodeado de grandes conselheiros como o industrial e filantrópico Warren Buffet, o antigo Secretário de estado de Bill Clinton, o economista Laurence Summers, e poderá eventualmente colher experiências junto de grandes estrategas militares que estão do seu lado como os Generais reformados Wesley Clark e Colin Powel. Sendo este último, o inesperado apoio que recebeu à última hora.

O Reverendo António Leite espera que a frase “God Bless America” que Obama pronunciou no final do seu discurso no Grant Park-Chicago e, que esta mesma frase que está inscrita na moeda americana, não seja um simples slogan e que os americanos confiem nas graças de Deus para ultrapassar a difícil situação financeira que o país atravessa.
O Reverendo António Leite destacou a personalidade e a atitude de Obama, como sendo um instrumento útil para esta nação que é uma “colcha de retalhos”, formada por negros, brancos, amarelos e nativos americanos.

Por outro lado, apreciou igualmente o discurso do opositor John Mc Cain, desprovido de hipocrisia polílica, quando se dispôs a colaborar para resolver os problemas que a América enfrenta neste momento. “Talvez a melhor parte parte de toda essa campanha”.

 Para o Pastor Leite, com a ascenção de Obama à Casa Branca, inaugura-se um novo ciclo para os EUA que passa assim a contar com uma nova geração de políticos.

O professor Agnelo Montrond, um dos integrantes dos vários grupos organizados, em diferentes cidades, para apoiar o candidato democrata, e denominados “Capeverdean for Obama”, vê com bons olhos, as perspectivas do incremento das relações entre Cabo Verde e os EUA, com a vitória de Barack Obama, graças à sua visão carismática e abertura para o diáologo.

Quem teve uma experiência inolvidável nesse processo eleitoral, é José da Cruz. Esse cidadão sacrificou um dia de trabalho, para exercer seu papel de “supervisor”, escrutinador, numa das várias mesas de voto em Pawtucket.

Constatou uma grande afluência, sem precedentes, de cabo-verdinoas às urnas.
Ele, um democrata que apoiou nas primárias a candidata Hilary Clinton, teve o prazer de saborear, após as eleições, no Providence Baltimore Hotel, a vitória de Obama junto de influentes políticos locais como o senador democrata Jack Reed.

A expectativa é gigante. Como no enredo de um filme de conto de fadas, o mundo espera para ver como se vai movimentar nos corredores da Casa Branca, o menino que se deliciou com o paradisíaco Hawai, pisou o martirizado chão africano, viveu na pele, a cultura e tradições da indonésia.

Agora é para o que der e vier, que esse cidadão americano se disponibiliza a defender os interesses dos Estados Unidos da América, baseado no seu próprio slogan, “Yes We Can”.

Yes, we sure hope so, acrescentam alguns!!!

Por: Valdir Alves (valdir@caboverdeonline.com)