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José Maria Neves inspirado em Obama e Kennedy apela ao empreendedorismo dos cabo-verdianos
November 13, 2008 06:10PM By CVOL Staff

 Inspirado na histórica vitória de Barack Obama nas eleições americanas, e com o pensamento na filosofia participativa de John Kennedy, o Primeiro Ministro de Cabo Verde não se cansou de apelar ao empreendedorismo e ao contributo que os imigrantes cabo-verdianos têm e devem continuar a dar ao seu país.

A vitória de Obama e esse pensamento filosófico de Kennedy, de perguntar o que nós podemos fazer pela nossa terra, foram o tom de discurso do Chefe do Governo de Cabo Verde no Fórum de mais de 3 horas com os jovens no Massassoit College, com os estudantes da Universidade de Rhode Island, no acto inaugural do Centro Cultural de New Bedford, que passará a acolher a extensão dos serviços consulares ou ainda no Jantar de Gala com a comunidade em Brockton.

Estabeleceu um paralelo entre o 5 de Julho cantado pelo Ildo Lobo quando “um novo sol nasceu no horizonte”, considerando que também um novo sol nasceu para a América e o mundo, no dia 4 de Novembro, com a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais nos EUA.

Mas antes desse sol nascente, houve um longo processo de luta na América e no mundo para que os negros tivessem o seu direito de voto. Um processo que começou na grande sangria da mão de obra africana para os continentes europeu e americano.

Nessa retrospectiva histórica, JMN recuou à guerra civil nos EUA entre o Norte e o Sul por causa da abolição de escravatura, o assassinato de Abrahan Lincoln 3 dias depois de ter feito o seu discurso em que dava o direito de voto aos negros.
Martin Luther King pagou com a própria vida por ter aproveitado esse brilho de sol, para sonhar.

“Hoje, para além do sonho, temos um presidente afro-americano na Casa Branca”, focando, de seguida, seu discurso sobre as repercussões que isso tem para a América e para todo mundo.

“O futuro do mundo é essa sala”, conclui o Primeiro Ministro explicando que com a globalização, a mestiçagem acentua-se e a vitória de Obama é esse prenúncio.

Por onde passou nos cinco dias de visita à comunidade, JMN quis reflectir com a assistência o impacto dessa vitória no mundo e em África em particular, concluindo que a pobreza num rico continente como África deve-se, por muitos anos, a uma liderança que não soube ter uma visão e uma agenda que põem o recurso do continente ao serviço dos africanos.

Espera, agora, que esse raio de sol também chegue à África.

O cabo-verdiano é reivindicador mas pouco cumpridor dos seus deveres
José Maria Neves regista, em cada manhã, as várias reivindicações dos ouvintes que, atravês da rádio, reclamam o atraso nos voos, o professor que chega tarde às escolas, os apagões, as estradas que não estão todas asfaltadas, como um rol de preocupações que eles acham que não se coadunam com um País de Desenvolvimento Médio. Concorda que é preciso melhorar tudo isso, e pergunta:

 “E quando se come a banana e deita-se a casca ao chão, é também de um País de Desenvolvimento Médio?” Pergunta ainda mais: “Num PDM, partem-se as paragens dos autocarrros? Os meninos partem os vidros das janelas das escolas? “Num PDM, os meninos não riscam as cadeiras, porque há mais educação. Num PDM, as pessoas cumprem mais os seus deveres”. Resumindo, é o que o cidadão cabo-verdiano precisa fazer para que Cabo Verde avance e possa ter mais avião, mais escolas, mais estradas asfaltadas, mais polícia, mais televisão, etc.

“Se em Cabo Verde trabalhássemos 2/3 do que se trabalha nos EUA, a produtividade aumenta, criamos riquezas”.

As pessoas que têm visitado Cabo Verde, constantam com satisfação, o nível de desenvolvimento alcançado nos 33 anos de independência do país, muito em parte, à ajuda internacional, mas o JMN alerta que “o momento agora é outro” e que os cabo-verdianos têm que acreditar na sua própria capacidade de aumentar a produtividade e gerar riquezas com o seu próprio trabalho.

Pedindo desculpas ao jovem Padre Lino fez mais uma comparação “Sou José e Maria mas não faço milagres”.

Um arquipélago com várias ilhas espalhadas pelo mundo
Cabo Verde é um pequeno país do Atlântico que produziu várias outras ilhas no mundo inteiro.
Até na Suazilândia um dos membros do corpo de segurança do rei, é caboverdiano. Na islândia existe importante comunidade, exemplica o PM.

“Isso dá-nos uma ideia da complexidade de Cabo Verde”. O facto de sermos um país de diáporas tráz-nos muita tensão. Por um lado é bom para o crescimento de Cabo Verde, por outro, exige de nós uma capacidade mais alargada de gestão do processo de governação desse pais global”

A democracia que existe em Cabo Verde, fica muito a dever às pessoas que tiveram uma vivência democrática fora do país. Cabo Verde é um país formado maioritariamente por católicos, mas a primeira igreja do Nazareno foi fundada por imigrantes bravenses da América.
José Maria Neves enumerou ainda toda uma vivência sindical forte vinda da França e a cultura da segurança social da Europa e EUA como aspectos de um impulso modernizador que chegam com os imigrantes.

Toda essa cultura de trabalho, do dinheiro, criação de riquezas, são, segundo o Primeiro Ministro, um fermento importante de transformação de um pais.

“Esta tensão de viver entre dois países com civilizações diferentes não é negativa, pelo contrário é positivo e enriquecedor”.

José Maria Neves falava durante o Fórum sobre a juventude no Massassoit Community College em Brockton, e porque falar de Obama, nestes dias, está na moda, vai mais um paralelismo:

“Obama tem esta dimensão como senador americano jovem que já viajou muito e conheceu muitas realidades”. JMN esclarece que não foi na convenção dos democratas em 2004 que ele terá feito seu discurso mais fundador daquilo que pensa, mas sim foi antes disso, na Cidade do Cabo, quando se dirigiu aos africanos.
Detem essa riqueza de África, da América, da Indonésia, que fizeram dele uma pessoa com uma grande visão mais enriquecedora mais ampla do que aquele que apenas nasceu e criou cá.

JMN considera que se trata de um dilema quando se aborda a questão da violência por parte de jovens que não se adaptaram a este país, se comparar com aqueles que chegaram no século 17, que não sabiem nem ler nem escrever, que levaram 6 meses a atravessar o Atlântico e que saíram de um país quente para um país frio.

 A esses que a América não ofereceu as mesmas oportunidades, adaptaram-se e os seus filhos integraram-se e singraram. Tomou como referência Stephen Perry da Administração do Presidente Bush, Dana-Mohler Faria, Presidente do Bridgewater State College, Frank Borges, primeiro Secretário de Estado do Tesouro afro-americano de Connecticut, entre outras referências.
Mas também o Presidente John Kennedy dizia: “Quanto mais aumenta nosso conhecimento, mais evidente fica nossa ignorância”.

Nesta sua já tradicional visita aos EUA, o Primeiro Ministro José Maria Neves, encontrou-se com o Mayor de Brockton, visitou instituições do ensino superior como o Rhode Island College, Universidade de Rhode Island, Massassoit College, reuniu-se com a CABO (Capeverdean American Business Organization), e teve um briefing com a comunicação social com a qual abordou nomeadamente a questão dos projectos de incineração do lixo e o subsídio para a Cabo Verde Fast Ferry em que estão envolvidas duas companhias com a participação de imigrantes cabo-verdianos nos EUA.

Voltaremos a esses dois assuntos em particular, oportunamente.

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Article Comments

Estare muy agradecido me mantengan informado de las actividades industriles de Cabo Verde
Josep Cussó
BARCELONA (Spain)

posted by: Josep Cussó
(12/11/08)

estoi muito orguhloso dos nossos dezenvolvimento e muito e mas praia de nos ter os milhores comunicasao e tudo do meu em new york com saudade de todos amigos e colegas de lem ferreira e tudo do to de nha bianina e didi. Felis natal e prospio ano novo a tdo cabo verdianos no mundo, precipalmente em cabo verde

posted by: antonio carlos mendes da silva
(11/20/08)

Excelente discurso batendo palmadinhas e apoiando os americanos.
Nao vou comentar mais ou criticar algo sobre o discurso, que foi infeliz, pois ha muita gente cujo juizo e fraco nao vai poder compreender, e com certeza vao retirar este comentario como fazem regularmente com os outros. Mas somente uma coisa. Esse sr. JMN, que nao conheco pessoalmente precisa apetrechar a sua bagagem intelectual.

posted by: Carlinhos Avelar
(11/14/08)