Há homens humildes que, com o trabalho e honradez, se elevaram, tornando-se respeitados e exemplo de menção para a juventude. Entre eles está Faustino Vicente Amador, pai do conhecido consultor de empresas, professor e advogado paulista, Faustino Vicente (foto).
Faz, neste ano de 2008, precisamente um século, que humilde agricultor saiu de Salamanca, – a cidade de Unamuno, – com a esposa, Joana Amador Garcia Vicente e duas crianças: Francisco e Faustino Vicente Amador.
Cansado de ásperas lidas agrícolas, abalou com os filhos, em busca de melhor fado – na época, o Brasil era para muitos europeus, o país da promissão.
A vida em terras de Santa Cruz não foi fácil. Iniciou-a na extracção de carvão, na cidade de Taipas. Dinâmico, trabalhador, poupado, em escassos anos alcançou abarcar o suficiente para adquirir um sitio (pequena quinta) no município de Jundiaí – conhecido, em todo o Brasil, pela cidade da uva (de mesa - niagara) – onde, coadjuvado pelos filhos, lidava com o carvão, corte de lenha, criação de animais e plantação para consumo da família. Durante este período nasceram-lhe mais seis filhos, estes já brasileiros.
O filho Faustino – que foi homenageado pelo município de Jundiaí, por proposta do Exmº Senhor António Carlos Pereira Neto (Doca), ilustre vereador municipal, que conseguiu a denominação da Rua Faustino Vicente Amador, através do projecto de Lei nº 10. 051, promulgado pela Lei nº 7.142 de 08 de Setembro de 2008, pelo Exmº Perfeito de Jundiai o Dr. Ary Fossen, – casou duas vezes. Primeiro com Páscoa; ficando viúvo, com Philomena. Do primeiro matrimónio nasceu o João; das segundas núpcias: Maria Aparecida e Faustino Vicente.
No intento de auxiliar os pais, Faustino deixou a zona rural, fixando-se na cidade de Jundiaí – na época pequeno e gracioso burgo de características provincianas, hoje das mais pujantes cidades do Brasil.
Nesse comenos estabeleceu-se, nos anos trinta, com a “ Lenhadora Santa Cruz”, no Largo da Santa Cruz, distribuindo lenha, porta a porta, com simples carroça; mais tarde, como o negócio prosperasse, comprou dois caminhões.
Estamos em plena Guerra Mundial, escasseava o combustível e o nosso Faustino tornou-se tropeiro. Percorria grandes distâncias em busca de animais (burros e mulas), que comerciava em Jundiaí e cidades da proximidade. Nesse em meio negociava em terrenos, iniciando o loteamento de Vila Nambi.
Como homem de negócio que era – ainda que simples, e com pouca formação académica, – possuía invulgar espírito empreendedor. Verificando que a melhor uva niagara, que havia, era de Jundiaí, abriu postos de venda na Praça principal da cidade, onde se localiza a Catedral de N. S. do Desterro; e ainda outro em Campinas, que dista 32Km de Jundiai, vendendo também na capital paulista, São Paulo, que fica a 50 Km de distancia; chegando a montar, durante a Festa da Uva, acolhedora churrascaria.
Com o rodar dos anos Faustino Vicente Amador tornou-se figura prestigiosa no burgo, solicitada a participar em várias actividades sociais. Foi Presidente da Sociedade Recreativa dos Caçadores e Pescadores, fundou o Club de Tiro ao Alvo e presidiu, entre outras, à Romaria Diocesana ao Santuário de Bom Jesus de Pirapora.
Aos oitenta e cinco anos viria a falecer no Hospital São Vicente de Paulo, de Jundiaí.
Eis a brevíssima biografia de um homem do povo, filho de humilde emigrante, que no século passado abalou das áridas terras de Salamanca, para o Estado de São Paulo. Sua escola foi a da vida; mas soube, com seu entusiasmo, legar aos filhos e ao Brasil, importante lição de tenacidade, e forte vontade de vencer.
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