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Norberto Tavares recebe rim no próximo mês
June 21, 2009 04:22PM By CVOL Staff

 Por: Valdir Alves

“Altruísmo e surpreendente compatibilidade de órgãos”
-Dr. Jean Jacques Alves

“Mais esperançado do nunca”
O receptor Norberto Tavares

“Sou humanista”
-O doador Carlos Tavares

“Arriscar ou mesmo sacrificar a própria vida para salvar outra é visto como o mais elevado acto de amor (João 15:13)”

O autor de Nôs Cabo Verde di Sperança está mais esperançado do que nunca.
Oito meses após um complicado processo de testes médicos e outras diligências necessárias para um transplante de rins, é oficial:

Carlos Tavares cidadão cabo-verdiano residente em Rhode Island é doador do rim que o artista Norberto Tavares precisa para sobreviver.

Norberto Tavares que continua a se submeter à hemodiálise três vezes por semana no Centro de Diálises DaVita de N. Bedford, onde reside, está “mais esperançado do que nunca”. A operação está marcada para o dia 24 de Julho.

Neste momento, como consequência do tratamento, sente-se exausto “como alguém que acaba de fazer um longo e pesado trabalho”. São 4 horas e meia desse processo médico.

Contactado pela nossa redacção, o médico Jean Jacques Alves, também ele um profissional sempre disponível nessas situações, começou por destacar o altruísmo do doador que lhe pediu que, finalmente, tornasse público o que foi guardado em sigilo ao longo desses meses.

Desde o passado mês de Novembro que esse conhecido médico soube que um cabo-verdiano se disponibilizou como doador de um rim para o Norberto realçando o gesto altruísta dessa pessoa que se ofereceu em apoiar o artista sem nenhuma compensação financeira ou qualquer outro tipo de exigência.

O mais curioso é que os dois (doador e receptor) não se conheciam. Logo na primeira reunião bastou um abraço íntimo para ficar demonstrado esse espírito de solidariedade.

Carlos Tavares na altura disse ao Norberto:
“Como cabo-verdiano dar-te um rim é um mínimo que posso fazer por aquilo que fizeste para o povo cabo-verdiano e principalmente pela tua música clássica Nôs Cabo Verde di Sperança”.

“Só essa postura foi algo de extraordinário que penetrou no clima daquela reunião e acto contínuo houve uma intimidade pela primeira vez entre duas pessoas que não se conheciam e que ficam ligadas de uma forma eterna”, disse o Dr. Jean Jacques Alves.

Tudo seria tratado em sigilo até que a operação cirúrgica fosse efectivada.
Felizmente tudo correu bem e “as peças se encaixavam na perfeição”. Até o tipo sanguíneo dos dois que é raro, foi compatível.

Jean Jacques reconheceu que foi um sacrifício enorme para o doador que, logo após a reunião, se predispôs a um grande sacrifício, isto é se submeteu a uma série de testes cardiovasculares, teste psicológico e outros, isto sem contar as várias deslocações RI-Boston-RI.

Carlos Tavares tem consentido um grande sacrifício ao longo desses meses. Já só lhe sobejam 8 dias das 4 semanas de férias que tem direito no seu trabalho.

O Dr. Jean Jacques realça a conversa afável que teve com os responsáveis da companhia Antrol que, também, se mostraram sensibilizados com a postura altruísta e humana de Carlos Tavares.

Há duas opções para o processo de transplante de rins: Carlos Tavares escolheu o mais difícil, ou seja a operação de barriga aberta em vez da endoscopia, antecipando assim essa intervenção cirúrgica para o próximo mês em vez de Setembro.

Endoscopia é uma especialidade médica que se ocupa de obter imagens médicas diagnósticas utilizando-se de um endoscópio, um aparelho que consta basicamente de uma fonte de luz e alguma forma de visualização da imagem.

Embora tenha feito tudo com o consentimento da família e com o devido aconselhamento do médico Jean Jacques Alves, para esse doador o processo era irreversível e vai continuar a lutar para que o exemplo dele seja seguido por outros, na sua comunidade.

Tudo veio na sequência da festa de angariação de fundos realizada pela Neves Travel e Cabo Video no passado mês de Novembro.

Carlos Tavares que, nessa noite, se encontrava numa festa do Primeiro Ministro, deu seu contributo e dias mais tarde recebeu um e.mail de Tony Neves expondo-lhe a precária situação de saúde porque passava Norberto Tavares.

Sensibilizado, Carlos Tavares se disponibilizou fazer parte de um eventual grupo de doadores, por uma razão simples. “Sou um humanista”.

Carlos Tavares é natural de S.Vicente. Vive nos Estados Unids desde 1988. É operário numa companhia que fabrica o sistema de aquecimento de água a Antrol Inc. E trabalha em regime de part-time como agente de segurança na Professional Security Officer.

Um activista da comunidade, é membro da Direcção da CACD (Capeverdean American Community Development).

Estudos médicos provam que “A doação de órgãos é um ato de dar que raramente envolve risco para o doador, mas que pode servir para beneficiar grandemente o receptor”

Só em raros casos, uma pessoa viva pode ser chamada a doar um de um par de órgãos, ou tecido parcial de um órgão sadio para salvar a vida de um parente próximo.

Um acidente de carro pode tirar a vida de um homem saudável cujo coração, fígado e outros órgãos podem ser usados para salvar vidas de outros. A decisão, enquanto vivo e saudável, de permitir tal doação é um ato de bondade e amor que beneficia um receptor desconhecido, conclui um estudo sobre esta matéria.

O que é a Hemodiálise?
Sem grandes pormenores, hemodiálise resume-se no seguinte: O sangue é retirado do paciente por um acesso venoso e impulsionado por uma bomba até o filtro, sendo então devolvido ao paciente.

A Hemodiálise é o processo de filtragem e depuração de substâncias indesejáveis do sangue como a creatinina e a uréia. A hemodiálise é realizada em pacientes portadores de insuficiência renal crônica ou aguda, já que nesses casos o organismo não consegue eliminar tais substâncias devido à falência dos mecanismos excretores.

Na hemodiálise, o sangue é obtido de um acesso vascular, unindo uma veia e uma artéria superficial do braço (cateter venoso central ou fístula artério-venosa) e impulsionado por uma bomba até o filtro de diálise, também conhecido como dialisador. No dialisador, o sangue é exposto à solução de diálise (também conhecida como dialisato) a membrana semipermeável, permitindo assim, as trocas de substâncias entre o sangue e o dialisato. Após ser retirado do paciente e passado através do dialisador, o sangue “filtrado” é então devolvido ao paciente pelo acesso vascular.