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Aristides Lima estrutura sua candidatura às Presidenciais
June 24, 2009 10:07AM By CVOL Staff

 Por: Valdir Alves

“Caminho longi ta andadu di béspa” pegando nesse adágio popular fica claro que as presidenciais já estão no horizonte do actual Presidente da Casa Parlamentar cabo-verdiana.

Aristides Lima deixa claro que já está a estruturar uma candidatura.
O actual Presidente da Assembleia Nacional é já apontado, há algum tempo, como um dos candidatos apoiados pelo PAICV, às eleições presidenciais de 2011.

Nos Estados Unidos, onde terminou terça-feira, 23, uma visita à comunidade, Aristides Lima mostra-se confiante no apoio por parte do partido que sempre representou, como ficou vincado em extractos de uma entrevista que nos concedeu.

É candidato oficial ou oficioso?
Foi a primeira pergunta colocada. A questão ainda não se põe neste pé porque, “O que quero dizer é que gosto muito do meu país, tenho trabalhado com muito gosto sobretudo no quadro do PAICV como seu dirigente. E como o actual titular da pasta não pode candidatar-se, por razões constituitionais, disponibilizei-me, como uma pessoa na área do PAICV, para estruturar uma candidatura para o cargo de Presidente da República e para isso conto com o apoio do partido que na altura certa virá tomar uma decisão”.

Lima não duvida desse apoio em todos os quadrantes, até porque: “Neste momento existe um encorajamento muito forte por parte dos dirigentes do PAICV, deputados e Presidentes de Câmaras do PAICV por parte de agentes da sociedade civil na imigração e no território nacional pelo que quero oferecer a cabo-verdianos uma alternativa para que continuemos esse processo de transformação de Cabo Verde que é um processo em que os cabo-verdianos olhem os frutos e sejam orgulhos desta trajectória. Estou disponível para este desafio”.

Pelos vistos há uma maioria que suporta esta candiatura...
O sentimento que tenho é que é uma candiatura muito acarinhada pelos dirigentes e apoiantes do PAICV, como uma candidatura de concórdia e integração dentro do PAICV, uma candidatura capaz de unir pessoas na sociedade e levar a algum conforto na representação nacional.

Aceitando este desafio, quando é o timing para a apresentação dessa candidatura?
Neste momento tenho mantido contactos com muitas pessoas, temos apresentado este projecto de candidatura nas ilhas, no seio da sociedade e é evidente que procuramos obter o maior apoio possível dentro da sociedade e dentro do PAICV. Há de chegar a altura em que o PAICV dirá a quem dará seu apoio oficialmente como candidato à Presidência da República.

A campanha eleitoral só acontecerá após o Presidente da República marcar a data das eleições em 2011, mas quando a gente tem um desafio desta monta e como o nosso povo diz: Caminho di longi ta andadu di béspa.

Então é preciso que vamos preparando com muita antecedência, transmitindo a mensagem que nós queremos, instruindo essa candidatura porque uma candidatura é uma coisa muito séria, não é uma feira de vaidades, não é uma coisa de interesse pessoal, é uma coisa de interesse de cidadania. Então temos que preparar tudo: Mensagem, meios e apoiantes.

Por isso, sempre que tivermos uma oportunidade, nós estabelecemos um diálogo com as pessoas deixando-as saber aquilo que nós queremos.

Aristides Lima não esconde aquilo que poderá ser seu trunfo eleitoral para as presidenciais de 2011 e avança com alguns pontos:
Nós queremos dar um contribuição para uma credibilização das instituições cabo-verdianas e fazer com que as instituições da República funcionem tendo como objectivo principal, o bem comum dos cabo-verdianos.

Queremos que a nossa nação, que é uma nação pequena na sua dimensão física, seja uma nação global com os residentes e os que vivem na diáspora a integrar a nação em torno de determinados objectivos comuns.

Queremos também contribuir para o estímulo da vida económica, vida social, vida política, cultural, intelectual dos cabo-verdianos para uma maior abertura ao mundo e para uma afirmação maior de Cabo Verde no mundo.

O turismo parece ser o vector que colhe maior fasquia de estímulo desse candidato presidencial, já que afirma ele: “Temos uma perspectiva de desenvolvimento baseada no turismo que nos dá uma taxa de desenvolvimento de economia bastante razoável”.
Prosseguindo com seus planos estratégicos, Aristides Lima alerta, por outro lado que “ao mesmo tempo vamos ter alguns problemas sociais nomeadamente relacionados com salários baixos e falta de habitação. Então temos que trabalhar no sentido da inclusão social que nós queremos usar nesse processo de candidatura. É fundamental trabalhar numa íntima ligação com a diáspora e no país e procurar valorizar a família cabo-verdiana”.

Propõe algumas mudanças a nível da constituição da República? “O que proponho é o que está no projecto do PAICV para a revisão da Constituição”?
Aristides Lima propõe algo que toca à Presidencia “apesar de neste momento termos sido muito ponderados em termos de alteraçoes que vamos proceder a nível de organização política porque estamos perto das eleições e daí que não devemos mexer demasiado nesse aspecto”.

Entretanto fica a ideia de que o Presidente possa a vir a ter mais poderes no que tange à questão da dissolução do parlamento, em caso de crise institucional grave, independentemente do parecer do Conselho da República.

Aristides Lima terminou esta terça-feira uma visita à comunidade que iniciou no passado dia 13 com uma palestra “In Memoriam João Lopes” na CACD em Pawtucket, uma conferência sobre Revisão Constitucional no Lesley College em Cambridge e encontros com entidades cabo-verdianas e americanas e com a comunidade em geral.

No passado sábado, num jantar em sua homenagem, perante centenas de convidados em Boston, o Presidente do Parlamento cabo-verdiano apresentou dados sobre o desenvolvimento de Cabo Verde e sua excelente performance a nível, principalmente, do continente africano, em vários domínios.

Já no domingo, o dia 22 de Junho foi dedicado, em sua homenagem, pelas autoridades da cidade de Bridgeport que lhe entregaram, num gesto simbólico, a chave da cidade.

Também visitou Waterbury em Connecticut tendo sido recebido no histórico Clube Social daquela cidade, fundado em 1935, tendo realçado a importância das associações no sentido de definirem objectivos comuns para que se possa afirmar objectivamente uma comunidade e não um aglomerado de pessoas.

Em todos os locais visitados o Presidente da Assembleia Nacional respondeu a questões várias sobre a segurança, justiça, turismo etc e denotou com agrado, o espírito e o orgulho de cabo-verdianidade no seio desta comunidade imigrada.

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