“É PENA QUE EM CABO VERDE NÃO SEJA ASSIM”
...Agostinho Lopes Secretário Geral do MpD...
“Aqui nesta zona de Nova Inglaterra tornou-se um hábito. Temos conseguido com que, nesta região, as festas do 13 de Janeiro sejam de carácter nacional, sem partidarismo no sentido mais radical do termo, apesar de na organização constarem muitas pessoas do MpD”.
Agostinho Lopes encontrava-se na mesa de honra desse acto comemorativo, ao lado do Presidente do MpD Carlos Veiga, do Cônsul de Cabo Verde em Boston Pedro Graciano Carvalho e do Coordenador Regional da UCID Júlio Carvalho.
Na sua alocução, no Clube Nacional em Stoughton, perante mais de 300 pessoas , Carlos Veiga destacou a importância dessa efeméride que deve ser assinalada, por todos os cabo-verdianos, como uma das duas datas mais importantes de Cabo Verde. Interrompido aqui e acolá por breves momentos de vivas ao MpD, o líder desse partido estabelece dois marcos no calendário político cabo-verdiano:
“Temos sobretudo dois momentos importantes: primeiro momento é o da Independência atravês da qual nos libertamos do jugo colonial para sermos senhores do nosso destino. Este mesmo momento que nos permite também em 91, de fazermos um segundo momento que não podia ser apagado.
O segundo momento, que hoje comemoramos, permitiu-nos escolher viver num sistema em que a dignidade da pessoa humana está acima do Estado e que todos nós somos considerados iguais perante a lei e com igualdade de oportunidade”.
Dissecando sobre a data Veiga acrescenta, “É viver num sistema onde ter opinião contrária não é crime. Pelo contrário é enriquecimento de soluções para os nossos problemas: pluralismo, possibildade de termos mais de um partido, de existirem várias organizações e opiniões . É fundamental para o desenvolvimento de qualquer homem e de qualquer sociedade” .
Associando o papel da democracia ao desenvolvimento, Veiga acrescenta que é o principal factor de desenvolvimento, privilegiando a inicitaiva privada reservando-se ao Estado, o papel de fazer leis e regulador da boa vivência na sociedade.
O Cabo Verde de hoje não é igual ao Cabo Verde de 75, de 80 , 85. “Cada um cumpriu seu papel, mas hoje podemos concluir que com a democracia estamos num ponto superior da nossa evolução, como nação, como estado e como povo”.
Cabo Verde enfrenta problemas mais complexos, alguns piores do que no passado, admite o Presidente do MpD, “ normal na vida de uma sociedade porque existem avanços e recuos. Mas globalmente a vida do cabo-verdiano é melhor”.
Corroborando o jovem Haroldo que interveio no acto, Veiga considera que não há lugar melhor para se comemorar a democracia porque foi aqui que surgiu a primeira contestação ao regime de partido único, foi na Holanda e nas outras comunidades da diáspora onde os emigrantes viviam em sociedades democráticas que se abriu esse caminho certo para Cabo Verde.
Sendo uma data de todos agradeceu a presença do Cônsul em Boston, “como prova de que de facto é um evento que diz respeito à toda comunidade cabo-verdiana que ele representa neste Estado”.
Correspondendo a esta ideia cada vez mais generalizada, no decorrer de duas décadas, Pedro Carvalho, o representante diplomático em Boston, reconhece, no seu discurso, que é uma data que assinala uma nova era política económica e social em Cabo Verde.
O ex-primeiro ministro de Cabo Verde foi ao encontro do discurso do Coordenador Regional da UCID nos Estados Unidos, Júlio Carvalho que chamou, um pouco, os louros desta conquista do povo cabo-verdiano, ao seu partido.
“Foi uma data à qual se chegou depois de um trabalho árduo que o meu partido fez desde a sua fundação em 1978, que culminou nesta meta que atingimos, que constitui um orgulho de todos os cabo-verdianos”.
Compartilhando os louros da viória, Veiga salienta que “a participação da UCID na luta pela liberdade e democracia não deve ser apagada da história, porquanto foi feita em momentos mais difíceis, aqui nos Estados Unidos”.
Extendendo o momento a mais pessoas, Carlos Veiga agradeceu a presença de Inês Gonçalves, emigrante em Itália, por ter vindo participar “nesse dia que faz parte de todos nós e obrigado por ter vindo da Itália ter connosco”.
“Ultrapassou minha expectativa. Passou do virtual a real” , comentou Inês Gonçalves à nossa reportagem.
Os presentes foram chamados a observar um minuto de silêncio, primeiro, ao jovem Dudu Teixeira assassinado recentemente na Cidade da Praia e, depois, em memória ao falecido músico Codé di Dona.