Quando os ponteiros do relógio se sobrepõem sobre o número 12, celebra-se efusivamente a tradicional passagem do ano.
Apitos, champanhe e muita música para espantar o mau olhado, assinalam, neste caso, a transposição do 31 para o 1.
O homem como o eterno insatisfeito que é, aproveita para desejar que tudo se realize em 2012, como se fosse possível com uma varinha mágica.
Mas ao menos que uma parte ínfima dos nossos grandes desejos seja realizada e que a meia noite de 31 de Dezembro não seja apenas uma mera mudança de data no calendário. Assim pensam os mais resignados com a sorte.
Esta mudança convencional de calendário é carregada de simbolismos mais pessimistas que optimistas.
Para o 2012 pede-se ao Nosso Asenhor que vire a boca, dos mais pessimistas, para a prega do mar e que o calendário Maia seja apenas convencional.
Já em 2000, era protagonizado o fim do mundo e ainda cá estamos. Com crise, é certo, mas cá vamos lutando porque é parte da vida.
O calendário de uma cultura que sacrifica vidas humanas
Passada a dúzia de anos, outro fim é anunciado. O calendário dos Maias parece infalível. Quem quiser passar o final do ano e entrar no novo com o pé direito e livre de fobias, o bom mesmo é não pesquisar os dados e factos apontados por esse famoso calendário já objecto de estudiosos da matéria, historiados, religiosos, tema de best sellers e de cinema.
Dizem as pesqueisas e citamos: “O calendário maia acaba em 2012 e uma estranha série de eventos terríveis (colisão de meteoros e planetas com a Terra, previsões de muitos ‘paranormais’ sobre o fim do mundo em 2012 e problemas de conservação do nosso planeta como o efeito estufa) parecem estar convergindo para nos falar sobre a destruição da humanidade naquele ano.
Dizem ainda estas pesquisas que “Recentemente nós reportamos que um ciclo solar que terá seu pico em 2012 trará tempestades solares que podem deixar boa parte da humanidade na escuridão por meses antes que os reparos sejam efetuados. Durante este período o caos irá se instaurar em várias partes do mundo.
Nosso planeta também parece estar sofrendo alguns os sintomas da nossa ocupação”.
Para que se saiba dos pormenores deste calendário, enquanto o nosso sistema de contagem de séculos não leva a um fim, o calendário de contagem longa maia dura cerca de 5.200 anos e se encerra na data 13.0.0.0.0, que para muitos estudiosos (não há um consenso a respeito) corresponde ao nosso 21/12/2012.
No entanto, os mesmos estudos dão-nos um conforto questionando “se uma cultura que que fazia sacrifícios rituais humanos deveria ter qualquer credibilidade em afirmar o que aconteceria séculos depois com o planeta?
2011 o ano da Cize
A transição de um ano é convencionalmente estabelecida como uma meta para a calendarização de projectos e uma retrospectiva dos factos ocorridos e avaliação de assuntos previamente agendados.
No nosso Cabo Verde, 2011 foi mais um ano de eleições que deu a terceira vitória a um partido político e esolheu o quarto presidente do país.
Vários eventos tiveram lugar mas o destaque acabou por recair na ponta final para a morte da cantora Cesária Évora que teve efeitos mediáticos mais do que o previsto.
2011 consagrou a Cize como a raínha de Cabo Verde, fazendo com que a imprensa internacional se renda aos encantos dos pés desclaços da embaixadora crioula no mundo.
A comunidade vive, um pouco, aquilo que se respira nas ilhas, embora tenha a sua própria agenda, mais por força das organizações à volta das quais gravitam as actividades que vão marcando a vida dos crioulos na América.
Entre outros eventos, a par da grande movimentação das campanhas eleitorais, que conta com uma forte adesão das populações mais em termos de troca de acusações do que propriamente no que diz respeito à corrida às urnas, assinale-se o dinamismo associativista.
Criou-se a CVAMA (Associação dos Media Caboverdiano-Americanos) e vai em fase avançada a perspectiva da criação de uma Federação das Associações Caboverdianas.
A noite da virada, se é que há efectiva mudança, para além da calendarização do 31 de Dezembro para 1 de Janeiro, é marcada por festivas celebrações: Os Pecos, famoso grupo dos anos 90, actua em Braintree. John Miranda's Band, anima o seu tradicional palco no Ideal Club em E. Bridgewater.
E o que se reveste de grande signficado é a passagem do ano promovida por um grupo de covafigueirenses.
Na prossecução do espírito natalício, o grupo reúne no Shaws Center em Brockton, os convidados com dois objectivos: celebrar e soldarizar-se com uma causa nobre: contribuir para a aquisição de um autrocarro que se destina a crianças carenciadas que se deslocam quilómetros a pé para estudar e alimentar o sonho de uma vida mais consonante com 2012 do calendário cristão: amar o seu próximo como a si mesmo!